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São Martinho
de Tours

Soldado, monge, bispo. Padroeiro da Paróquia de Guifões e ícone da partilha cristã. Festa litúrgica: 11 de Novembro.

Imagem de São Martinho diante das igrejas de Guifões
316nascimento, Sabária
371bispo de Tours
397morte em Candes
11 novfesta litúrgica

Biografia

Martinho nasce por volta de 316 em Sabária, na Panónia (atual Hungria), numa família pagã. Filho de um oficial do exército romano, recebe um nome que evoca Marte, o deus da guerra — mas viria a tornar-se, como ele próprio dizia, «soldado de Cristo, soldado da paz». É educado em Pavia, na alta Itália.

Ainda menino inscreve-se no catecumenado e, aos quinze anos, é incorporado na carreira militar. Já então se distinguia pela caridade: tratava o seu servo como igual, partilhando com ele a mesa e o serviço.

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Soldado à força

Entre os quinze e os dezoito anos, ainda catecúmeno, ocorre às portas de Amiens o episódio mais célebre da sua vida. Num inverno rigoroso, encontrando um pobre nu e enregelado, Martinho corta ao meio a sua capa militar e cobre-o. Na noite seguinte vê em sonhos o próprio Cristo envolto naquela meia-capa.

O que fizestes ao mais pequenino dos meus irmãos, a Mim o fizestes.Mateus 25, 40

É baptizado pouco depois, em Amiens, por volta de 339. Quando quis deixar as armas — «sou soldado de Cristo, não me é permitido lutar» — foi acusado de cobardia, à beira de um combate contra os germanos. Ofereceu-se então para ir à frente da legião apenas com o estandarte da Cruz, desarmado; na manhã seguinte, o inimigo pediu a paz. Por isso é tido como patrono dos objetores de consciência.

Monge por vontade

Livre da milícia, Martinho entrega-se à vida monástica. Junta-se a Santo Hilário de Poitiers, que muito admirava, e funda em Ligugé o mais antigo mosteiro da Gália — ao mesmo tempo refúgio, escola de fé e centro de evangelização dos povos rurais. Foi o primeiro grande organizador do monaquismo no Ocidente.

Bispo de Tours

Em 370-371, contra a sua vontade, é aclamado bispo de Tours. Conta-se que, escondendo-se para fugir à nomeação, foi denunciado pelo grasnar de um ganso — animal que desde então o acompanha na iconografia. Funda o mosteiro de Marmoutier, de onde sairiam missionários como São Patrício, evangelizador da Irlanda.

Bispo-monge, percorre incansavelmente os campos da Gália: funda igrejas, combate os cultos pagãos e defende os pobres, sem temer enfrentar os poderosos. A sua influência chegou da Irlanda à Hispânia romana — pelo seu ardor missionário, é por vezes apontado, ao lado de São Bento, como co-padroeiro da Europa.

Morte, culto e iconografia

A morte surpreende-o em Candes, numa viagem para reconciliar o clero local. Pediu que o deixassem olhar para o céu e morreu a 8 de novembro de 397, com cerca de oitenta anos. É sepultado em Tours a 11 de Novembro — data que se torna a sua festa litúrgica.

Sobre o seu túmulo ergue-se uma basílica, logo lugar de peregrinação. Os reis francos guardavam como relíquia a sua capa (em latim cappella); o seu guardião era o «capelão» e o lugar onde se conservava, a «capela» — palavras que daí nos vêm.

Representa-se São Martinho a cavalo, partilhando a capa com o pobre. Com São Silvestre, foi dos primeiros santos não mártires venerados; a sua Vita, escrita por Sulpício Severo, foi um manual de espiritualidade na Idade Média. Em Portugal, a sua festa coincide com o «São Martinho» das castanhas e do vinho novo — sinais de partilha que mantêm vivo o gesto da capa.

São Martinho em Guifões

A Paróquia de Guifões celebra o seu padroeiro no dia litúrgico de 11 de Novembro, com uma Missa Solene. Organiza-se uma procissão noturna com o andor do padroeiro, num dia próximo à data litúrgica, que conclui com a bênção e um Magusto Paroquial.

Imagem de São Martinho carregada em andor durante a procissão em Guifões
Procissão do padroeiro nas ruas de Guifões

No 1.º domingo de julho, a Paróquia culmina uma semana de programação festiva, com a Missa Campal, que reúne a comunidade inteira e uma grande procissão no final da tarde.

Conhecer a Comissão de Festas →